Aeronáutica e Marinha resgatam mais oito corpos do Airbus da Air France; total chega a 24

Em entrevista coletiva na noite desta segunda-feira (8), em Recife, a Marinha e a Aeronáutica informaram que oito corpos de ocupantes do Airbus A330 da Air France foram resgatados nas buscas de hoje. Com isso, chega a 24 o número de corpos retirados do oceano Atlântico. A aeronave sumiu dos radares na noite do último domingo (31), enquanto fazia o trajeto Rio de Janeiro-Paris, com 228 pessoas a bordo.
Os oito corpos foram encontrados a 440 km a nordeste do arquipélago de São Pedro e São Paulo e já estão a bordo do navio Bosísio, da Marinha. Os corpos serão “oportunamente” levados até Fernando de Noronha e de lá serão enviados, de avião, para Recife, segundo informações das autoridades. “Os corpos resgatados hoje foram encontrados um pouco além do limite da área juridicional das águas brasileiras”, disse o capitão-de-fragata Giucemar Tabosa.

Sobre o transporte destes corpos, o tenente-coronel da Aeronáutica Henry Munhoz afirmou que ainda não há uma estratégia definida. “Não ofereceremos detalhes de como será feito o transporte [dos novos corpos] até Fernando de Noronha. Eles deverão ser feitos pelos helicópteros”.

Os 16 corpos resgatados anteriormente estão a bordo da fragata Constituição, que está a 400 km de Fernando de Noronha. Quando a fragata chegar a 300 km do arquipélago, helicópteros da Aeronáutica farão o resgate dos corpos. Em seguida, eles serão catalogados e levados de avião até Recife.

Buscas
Segundo a Aeronáutica, as condições meteorológicas desta segunda não interferiram nas buscas. “Mas temos informações de que há mau tempo em Fernando de Noronha”, disse o tenente-coronel, acrescentando que o tempo será determinante na saída de helicópteros para o resgate na fragata Constituição.

“O resgate tem que acontecer em uma condição de tempo ideal. Por isso não vamos dar hora específica para essa chegada”, informou Munhoz durante entrevista na manhã de hoje. “Queremos trazê-los o mais rápido possível ao continente e entregarmos ao IML.

A operação de hoje também encontrou várias peças do Airbus. “Na medida do possível divulgaremos as fotos. Garanto que, a cada dia, peças do avião estão sendo resgatadas pelas operações”, informou Munhoz. Segundo a Aeronáutica, os destroços vão permanecer nos navios e só serão resgatados após o término da operação de busca por corpos. “Somente após o resgate dos corpos é que daremos atenção aos destroços”, disse o tenente-coronel.
As buscas continuam por tempo indeterminado. Participam da ação 255 militares da Força Aérea Brasileira, em 12 aeronaves brasileiras. Já a Marinha possui 570 militares em cinco embarcações. Além deles, um navio e dois aviões franceses participam das operações.

A Marinha confirmou que o submarino nuclear francês Emeraude, com 72 metros de comprimento, está se deslocando para área onde o avião desapareceu do radar. A previsão inicial de chegada é esta quarta-feira. “Essa é uma ação de interesse francês e não tenho informações sobre a tática utilizada por eles. Nossas buscas são feitas por navio de superfície”, afirmou o capitão-de-fragata Giucemar Tabosa.

Para esta terça-feira, o plano de operação será o mesmo. “O levantamento de outros focos de destroços continua a ser feito pela aeronave R-99 e, durante a noite, aeronaves de busca visual trabalham no transporte de suprimentos para Fernando de Noronha”, informa nota divulgada pelo comando de buscas.

O tenente-coronel Henry terminou a coletiva desta noite mandando um recado otimista às famílias e amigos das vítimas do voo AF 447. “Em setembro de 2006, uma aeronave dispersou com 154 pessoas no meio da floresta amazônica. Menos de 24 horas depois localizamos os destroços. Quase ninguém acreditava no resgate de sobreviventes e corpos. Nossa missão terminou sem que ninguém ficasse para trás. Temos 228 passageiros esperando o resgate. A missão é difícil, mas queria que todos soubessem é que nosso objetivo é não deixar ninguém para trás”, discursou.

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